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terça-feira, 17 de agosto de 2010

Que frio !!!! Vai um cha???

CHÁ DE MARACUJÁ

Redimento 1,150 litros


Ingredientes:

Açúcar orgânico 4 colheres de sopa rasa
Gengibre 3 pedaços pequenos
Água potável 2 copos (500 ml)
Maçã picada em cubos ½ unidades
Casca de limão (sem a parte branca) 2 cm
Maracujá 1 polpa
Cravo e canela em pau a gosto


MODO DE PREPARO

Numa panela, derreter o açúcar junto com o gengibre. Acrescentar a água, o cravo, a canela e a maçã. Deixar cozinhar um pouco. Colocar metade da polpa do maracujá. Cozinhar por mais 10 minutos. Coar na hora de servir e acrescentar o restante da polpa do maracujá.



Fonte de energia ou doce veneno?

O açúcar é essencial para manter o organismo funcionando. Mas, dependendo da sua origem e composição, da quantidade diária ingerida e até do perfil de quem o consome, pode gerar conseqüências bem amargas para a saúde - desde cáries e enxaqueca até osteoporose, diabetes, obesidade, perda de memória e câncer
Na antigüidade, quando alguém desejava 'adoçar um pouco mais a vida', só podia recorrer ao sabor açucarado das frutas ou do mel (utilizado naquela época muito mais como remédio do que como adoçante ou ingrediente de guloseimas). Só a partir do século XV, os povos começariam a ter acesso ao melado extraído da cana- de-açúcar e às maravilhas que ele é capaz de proporcionar ao paladar. Mesmo assim, o privilégio de se lambuzar ainda era de poucos. Considerado um artigo de luxo na época do Brasil colonial, o açúcar mais parecido com o que conhecemos hoje, ficava restrito aos nobres. A popularização veio só mais tarde, com a evolução das técnicas de refinação que permitiram a extração apenas da sacarose da cana (no Brasil) ou da beterraba (na Europa) - deixando o produto mais claro e de fácil diluição e tornando possível a comercialização em escala industrial. Resultado: a civilização tornou-se uma consumidora voraz dessa especiaria.
Estima-se que, atualmente, nos Estados Unidos, a ingestão média anual de açúcar seja de 67 quilos (ou 185 gramas diárias) por pessoa. Em alguns países europeus, calcula- se que esse consumo varie entre 45 e 50 quilos. E por aqui, no país que é o maior exportador de açúcar do mundo, o índice chega a 35 quilos. "Mas há quem devore diariamente 300 gramas de açúcar. Um homem, sozinho, pode chegar a consumir até 10 quilos mensalmente", conta a nutróloga e endocrinologista Valéria Goulart, de São Paulo.
Um exagero, considerando os índices recomendados por duas agências da Organização das Nações Unidas, a Organização de Agricultura e Alimentos (FAO) e a Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo essas entidades, as doses diárias de açúcar não deveriam ultrapassar 10% do total de calorias consumidas no dia. "Cada colher de sopa de sacarose contém cerca de 80 calorias. Níveis razoáveis de consumo, portanto, significariam algo em torno de três ou quatro colheres de chá diárias", resume a médica Valéria.
É claro que esses números variam de acordo com a idade do consumidor, da quantidade calórica que ingere e da que ele gasta (com atividades físicas, por exemplo). Mas, no geral, as doses devem ser bem reduzidas. Crianças e idosos deveriam consumir no máximo 50 gramas de açúcar diariamente. Adolescentes, 75 gramas, enquanto que para os adultos esse valor-limite seria de 60 gramas para as mulheres e 70 para os homens.
Achou pouco? Pois os especialistas têm uma série de argumentos para chamar a atenção sobre o excesso de doçura na alimentação que atinge até mesmo essa geração saúde que há muito tempo já abandonou o açúcar refinado (aquele branco, de mesa), que restringe o consumo de doces no dia-a-dia e que não abre mão do adoçante dietético no café da manhã e nos sucos das refeições.




ATÉ O DIABÉTICO PODE COMER DOCE, MAS DEVE CONTRABALANÇAR A QUANTIDADE DIÁRIA INGERIDA DE CARBOIDRATOS: PARA SABOREAR UM PEDAÇO DE BOLO É PRECISO ABRIR MÃO DA BATATA NO ALMOÇO

sábado, 7 de agosto de 2010

Você Sabia ? Que você pode ter algum problema digestivo e intestinal........

Ensinamento de Meishu Sama intitulado“A Dietética”, seguinte trecho:    

“As funções orgânicas do homem são tão perfeitas que, ao nível da Ciência atual não se consegue entendê-las. A partir dos alimentos, elas transformam e produzem livremente os nutrientes necessários”.

 
Alicerce do Paraíso volume 3

Se pensarmos mais detidamente sobre o corpo humano, veremos, realmente, o quanto ele é maravilhoso. Quando falamos sobre nutrição, pensamos logo nos alimentos e nas dietas. Mas, em primeiro lugar, deveríamos conhecer melhor o organismo que recebe e processa esses alimentos. Numa visão espiritualista da nutrição podemos dizer que o corpo representa o espírito e o alimento, a matéria. Então, além de buscarmos uma alimentação balanceada com produtos da Agricultura Natural e alimentos integrais, precisamos ter o fortalecimento do aparelho digestivo como principal procedimento.

Naturalmente, a missão original desse aparelho é absorver a energia vital do solo através dos alimentos que consumimos. Suas funções são digerir e absorver os nutrientes dos alimentos para a manutenção da vida, alem de eliminar os resíduos que não são úteis.

Algumas dicas e cura para fortalecer o aparelho digestivo:

❑ A ingestão de água de boa qualidade;
❑ É preciso respeitar o tempo do trato intestinal. Uma salada refrescante de verduras e legumes gasta um tempo bem menor para ser digerida, se comparada com um prato de feijoada, por exemplo;
❑ O refinamento de cereais, como o arroz e o trigo, elimina o conteúdo de fibras necessárias para a saúde do aparelho digestivo ocasionando desequilíbrio de açúcar ,aumentando apetite, humor fica instável e aumento de peso. Já integrais as fibras e os nutrientes ajudam no controle do peso, saúde intestinal e digestiva .
❑ Os alimentos-chave para a saúde e a recuperação intestinal são o arroz integral, as verduras verdes e legumes, as frutas, a semente de linhaça e os farelos de aveia e de arroz.

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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

COMO REDUZIR SAL














Mesmo nos restaurantes, onde o sabor da comida sempre teve precedência sobre as recomendações médicas, a preocupação com o sal já se faz notar. Com modificações às vezes sutis. A primeira delas é a presença da fleur de sel, ou flor de sal. Bem diferente do sal comum, a flor é a camada mais fina e cremosa que se forma na superfície da maré salgada, durante a evaporação natural, ao sol. “Ela é usada na finalização do prato, para manter as propriedades de sabor e contribuir com uma certa crocância”, diz o chef Stefano Bignotti, do restaurante Faggi, em São Paulo. “Isso ajuda a reduzir o consumo de sal, pois evita que o cliente sinta necessidade de complementar o tempero usando o saleiro.” Além de usar a flor de sal, Bignotti enfatiza o sabor de alguns de seus pratos com ingredientes que já são previamente salgados, caso do presunto cru e das castanhas. “Temos clientes que chegam indicados por médicos e se preocupam com o controle do sódio na dieta”, diz ele.


A evolução gravou em nosso cérebro circuitos que nos condicionam a gostar de sal e procurar por ele

A preocupação em salgar menos está se tornando tão presente quanto os cuidados em relação à gordura e ao açúcar. No restaurante Ají, de inspiração latino-americana, o chef boliviano Checho Gonzales tempera seus frutos do mar com um substituto do sal de origem tailandesa, o nam plah. “Minha comida usa o mínimo de sal. Alguns clientes sentem falta”, diz Gonzales. Numa de suas receitas, um tentáculo de polvo é cozido só em água fervente. Assim, libera o sal que absorveu do mar. Até nas churrascarias, onde o sal costumava reinar soberano, tem havido reduções. “Salgar a carne em excesso é um erro”, afirma Marcos Bassi, dono do tradicional Templo da Carne, em São Paulo. Para Bassi, o sal grosso usado na carne deve ser retirado antes que ela seja assada – e jamais servido como parte do prato. “Ficará apenas uma fina película, que será absorvida pelas papilas gustativas, na língua, e não chegará ao estômago”, afirma.
As reações negativas ao consumo crescente de sal também têm gerado opiniões mais radicais. Com base nas repercussões negativas na saúde pública, muitos médicos têm falado em “epidemia salgada” e promovido um movimento similar àquele que antecedeu as restrições impostas ao tabaco e ao álcool. Desde 2002, a OMS faz campanhas anuais para chamar a atenção sobre o excesso de sal. Em 2004, lançou um relatório que incentivava os governos a pressionar a indústria a reduzir a quantidade de sódio usada nos alimentos. O movimento que defende as restrições ao sal já chegou ao Brasil.
Na segunda quinzena de junho, reuniram-se em Brasília representantes do meio acadêmico, da indústria de alimentos, técnicos do Ministério da Saúde, da Agricultura e da Anvisa, a agência federal que regulamenta a venda de comida industrializada e remédios. A ideia era esboçar um plano de redução do consumo de sal no Brasil. Como meta, discutiu-se passar, em dez anos, de 12 gramas per capita de sal por dia para os 5 gramas recomendados pela OMS. “Essa mudança ajudaria a baixar em 10% a pressão arterial dos brasileiros. Seria 1,5 milhão de pessoas livres de medicação para hipertensão”, diz a nefrologista Frida Plavnik, representante da Sociedade Brasileira de Hipertensão na reunião. Segundo ela, haveria uma queda de 15% nas mortes causadas por derrames e de 10% naquelas ocasionadas por infarto. Na reunião, falou-se em reforçar a campanha sobre os perigos do consumo excessivo de sódio, divulgar formas de reduzir a ingestão de sal e acelerar a aprovação, na Câmara dos Deputados, do projeto de lei que propõe uma advertência no rótulo dos alimentos com mais de 400 miligramas de sódio por 100 gramas de produto.
O modelo dessas políticas é o Reino Unido, país que lançou, em 2003, uma campanha encorajando as empresas a se engajar na redução voluntária dos níveis de sódio. O governo propôs metas para cada tipo de alimento. As sopas prontas deveriam ter uma redução de 55% nos níveis de sódio. Nos queijos, o corte seria de 29%. A campanha começa a dar resultados. A ingestão per capita de sal, que estava na casa dos 10 gramas por dia no início dos anos 2000, caiu para 8,6 gramas – embora ainda acima dos 5 gramas recomendados pela OMS. O programa de redução mais recente é o americano, que começou em janeiro deste ano. O National Salt Reduction Initiative foi lançado em Nova York e já conta com a adesão de outros 15 Estados americanos. Seu objetivo é reduzir, em cinco anos, 20% da ingestão de sódio. Além de agir sobre as fábricas de alimento, a iniciativa atraiu algumas redes de fast-food. “Em cadeias padronizadas de restaurantes, é mais fácil mexer. Tudo vem pronto e basta trocar os fornecedores”, afirma Lynn Silver, secretária de Saúde da prefeitura de Nova York. Ela acredita que as empresas deveriam aproveitar a oportunidade de fazer a redução de sal de modo voluntário.
Muitos médicos e associações defendem uma posição mais radical: a redução deveria ser obrigatória.“O sal tem sido considerado como substância natural devido a sua significância histórica, mas ele é, na verdade, uma toxina crônica de efeito lento”, diz o cardiologista britânico Graham MacGregor, professor da Universidade de Londres e um dos coordenadores do movimento britânico para reduzir o uso do sal, conhecido pela sigla Cash. MacGregor afirma que a FDA, a agência americana que regula o uso de drogas e alimentos, estuda a reclassificação do sal, a pedido de associações médicas do país. O sal é considerado pela FDA como uma substância “geralmente reconhecida como segura”. Se isso mudar, haverá implicações na vida das empresas e dos consumidores. As indústrias teriam de ser autorizadas a usar esta ou aquela quantidade de sal. O comércio não poderia vendê-lo sem restrições. Os restaurantes teriam de prestar contas de suas receitas e, no limite, o cidadão que gosta de alimentos salgados teria possibilidades reduzidas de escolha – em nome da saúde. Será que esse tipo de medida drástica surtiria o efeito desejado?
No Brasil, é muito provável que não. Pesquisadores da USP analisaram hábitos alimentares do brasileiro e concluíram que 76% do sódio que ingerimos vem do sal que nós mesmos colocamos na comida. Apenas 15,8% vem de alimentos industrializados. Nos Estados Unidos, a maior parte do sal vem de produtos industrializados. Em nossa realidade, as campanhas educativas sobre a influência do sal na hipertensão seriam evidentemente mais importantes que o controle sobre a produção e a venda de alimentos industriais.

Mas não é esse o caminho que as autoridades do governo adotaram. No mês passado, a Anvisa criou normas para restringir a propaganda dos produtos com grande quantidade de sal, açúcar e gordura saturada. A indústria tem seis meses para apresentar alertas nas peças publicitárias sobre os riscos de consumo excessivo, como acontece nas propagandas de álcool e cigarro. Diante do cerco das autoridades sanitárias, as empresas temem que as políticas públicas evoluam na direção da redução obrigatória do sódio. “Qualquer estabelecimento compulsório de limites para reduzir o sódio seria inócuo”, diz a Abia, organização que reúne os fabricantes de alimentos. “Com a redução abrupta, o processo de adaptação do consumidor não seria respeitado e, provavelmente, o produto receberia, no momento do consumo, um incremento de sal. Daí se vê a importância do papel da educação.”
Movidas por pressões do próprio consumidor, a indústria já começou a fazer reduções espontâneas no teor de sal de seus produtos. A Arcor, líder em biscoitos salgados e fabricante da tradicional bolacha Triunfo, com 291 miligramas de sódio a cada seis unidades, lançou em maio a Triunfo Menos Sal, com 32 miligramas de sódio na mesma quantidade de bolachas. Ganhou um selo da Sociedade Brasileira de Cardiologia. A Unilever – dona de marcas conhecidas como Knorr, Arisco e Hellmann’s – lançou recentemente um caldo com 25% menos de sódio. Num tablete de caldo de carne comum, usado para temperar uma panela média de arroz, há mais de 2.300 miligramas de sódio (ou, 5,7 gramas de sal), quantidade que ultrapassa o limite saudável diário para uma pessoa.
A indústria não se apega ao sal por teimosia. De acordo com Marise Pollônio, professora da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade de Campinas (Unicamp), retirar o sal dos alimentos é difícil porque só ele exerce várias funções essenciais. Em conservas, o sal dá sabor, preserva e dá textura ao produto final. Na panificação, ajuda na fermentação e também dá sabor. Em alimentos como molho de tomate, que é úmido e ácido, propício à proliferação de bactérias, o sódio é importante para a conservação. Aditivos químicos – com nomes como fosfatos, nitritos, benzoatos, sorbatos e lactatos de sódio – são usados largamente na indústria para conter processos biológicos indesejados. E ainda não foram descobertos substitutos à altura. Em carnes e derivados, o sal ajuda a conservar e ainda dá textura, suculência e consistência. “A consistência da mortadela, da salsicha e do presunto não seria a mesma sem o sal”, diz Marise.
Encontrar um substituto ideal para o cloreto de sódio – nome científico do sal – é um desafio da indústria de alimentos. Hoje, o mais usado é o cloreto de potássio. Mas ele não funciona em qualquer quantidade. Deixa um sabor estranho, algo metálico. “Seria necessário promover um desmame gradual do sabor salgado, sem frustrar terrivelmente o consumidor”, afirma Marise. A fabricante de aromatizantes IFF diz estar preparada para desenvolver sabores especiais para as indústrias interessadas em usar menos sal. Segundo Guy Hartman, diretor global da companhia, suas fórmulas podem contribuir com uma redução entre 25% e 50% no sal dos alimentos, conforme o produto.
Outra alternativa é selecionar cristais com formatos mais favoráveis à dissolução na boca. Segundo a Elma Chips americana, envolvida numa pesquisa desse tipo, cristais cúbicos de sal, os mais comuns, não são integralmente dissolvidos. Por isso, seu sabor não rende muito. Os cristais mais achatados, com maior superfície de contato com a língua, tendem a se dissolver mais rápido e podem ser usados em quantidade até cinco vezes menor. Essa ainda não é a resposta aos apelos médicos pela redução drástica do consumo de sal. Mas é um avanço (real) na direção correta: buscar alternativas, em vez de, simplesmente, impor limites (irreais) que reduzam o sal e o prazer de comer. Ninguém está disposto a viver sem prazer e sem sabor. Sem sal nenhum, a vida fica muito chata. Com menos sal, pode ficar até melhor.


Com mais sabor, textura e saúde


O mais delicado e crocante dos sais marinhos é colhido à mão

É de Guérande, na França, que sai a flor de sal mais famosa. No Brasil, desde 2006, Mossoró, no rio grande do norte, extrai à mão a flor que se forma na superfície de suas salinas. ela tem feito sucesso com os chefs brasileiros. bem menos amarga que o sal, é usada como verdadeira especiaria – em pequenas quantidades que encantam o paladar e são mais seguras para a saúde








 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
fonte: Revista Epoca n. 636

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sal - Parte II

Pode fazer sentido, mas não é fácil. O sal está por toda parte, em alimentos que nem suspeitamos (leia o quadro abaixo). E foi incorporado à nossa dieta faz tempo. Imagina-se que tenha começado a ser usado há 15 mil anos. Os registros da presença do sal datam de milênios. Um texto chinês de 4.700 anos atrás ensina a encontrar e preparar o sal – a mesma informação que os egípcios registrariam em papiros 500 anos depois. O sal era tão difícil de produzir e tão apreciado que os gregos o usavam como moeda no tráfico de escravos. Às vezes diziam sobre um escravo: “Ele não vale seu sal”. A expressão sobreviveu, assim como a palavra salário, derivada da ração que os soldados romanos recebiam como parte de seu soldo. Era o salarium argentium. Pode-se dizer, grosseiramente, que civilização e consumo de sal têm caminhado juntos. Os ianomâmis, que em termos técnicos nunca saíram da Idade da Pedra, consomem menos de 50 miligramas de sal por dia – talvez o menor uso per capita de uma cultura humana.

O historiador britânico Felipe Fernandez-Arnesto, da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, diz que, desde que os primeiros humanos deixaram de ser nômades, houve um crescimento explosivo no uso do sal. A ingestão diária aumentou cinco ou seis vezes desde o período paleolítico – com enorme aceleração nas últimas décadas. A American Heart Association, que reúne os cardiologistas americanos, estima que mudanças no estilo de vida provocaram aumento de 50% no consumo de sal desde os anos 1970. Em boa medida, graças ao consumo de comida industrializada.

MAIS SABOR

Lourival Falcão, de 70 anos, à mesa de sua casa, em São Paulo. Há cinco anos ele cortou radicalmente o uso de sal. “Agora eu sinto o gosto dos alimentos”, diz ele
A culpa pelo abuso de sal não deve, porém, ser atribuída somente à indústria. A maior responsabilidade cabe ao nosso paladar. Os especialistas acreditam que a natureza gravou em nosso cérebro circuitos que condicionam a gostar de sal e procurar por ele – em razão do sódio essencial que contém. A indústria, assim como a arte gastronômica, responde ao desejo humano. “É provável que o sal seja tão apreciado porque tem a capacidade de ativar o sistema de recompensa do nosso cérebro”, diz o neurofisiologista brasileiro Ivan de Araújo, afiliado à Universidade Yale, nos Estados Unidos. Isso significa que sal nos deixa felizes. Outras hipóteses científicas caminham na mesma direção. Pesquisadores da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, lançaram a ideia de que o sal funciona como antidepressivo. Ao privar ratos de sal por vários dias, eles perceberam que os animais deixaram de fazer atividades que apreciavam, como acionar uma alavanca para ter acesso à água com açúcar.
E quem não pode usar sal, como faz? O paulistano Lourival Falcão, de 70 anos, aposentado como assessor jurídico, é um desses. Ele ficou preocupado quando leu que, após os 40 anos, o sal é inimigo dos rins. Estava com 65 e tinha um grau leve de hipertensão, já medicada. Resolveu radicalizar. Cortou completamente o sal da comida. Pediu à cozinheira que passasse a cozinhar tudo sem tempero e combinou com a mulher que acrescentariam o sal no prato. “No começo foi um pouco difícil. Mas depois passei a sentir melhor o gosto de cada alimento”, diz ele. “Gosto muito mais da comida hoje.” Há mais gente como Falcão por aí.
A avó materna da secretária paulistana Kelli Augusto Correia, de 21 anos, morreu no mês passado por causa de pressão alta. O pai dela, que teve infarto, faz tratamento contra a mesma doença há sete anos. O medo de sofrer do mesmo mal levou Kelli a procurar uma nutricionista e a montar uma dieta com pouco sódio para se prevenir. Muitas coisas que ela adorava quando menina – e que a turma da idade dela ainda adora – ficaram para trás. Fast-food e refrigerante? Não mais. Há seis meses, ela deixou de salgar a comida e ficou mais seletiva quanto aos restaurantes. Seu arroz tem de ser cozido sem sal. O orégano é seu tempero mais frequente. Se combina um cinema, come antes em casa e dispensa a pipoca. Até frutas com sódio Kelli diz evitar. “Sigo as recomendações da nutricionista. É uma alimentação muito gostosa”, afirma.



terça-feira, 3 de agosto de 2010

Menos Sal em sua mesa.....

Com pequenas mudanças na dieta e os novos produtos da indústria, é possível vencer a hipertensão sem abrir mão de comer bem – e com prazer




*As colheres não estão representadas em tamanho real


A humanidade parece ter um problema recorrente com o sal. Em seus primórdios, na África, os ancestrais do Homo sapiens lutavam contra a escassez dessa substância essencial ao organismo humano. No sal encontra-se o sódio, elemento químico crucial para o metabolismo das células. Sem sódio, não haveria vida como a conhecemos. Por ele ser importante, e difícil de obter na natureza, a evolução dotou o corpo de mecanismos extremamente eficazes para reter o sal. Cada vez que um caçador obtinha sal por meio do sangue e dos órgãos dos animais ou pela ingestão de algum vegetal rico em sódio, o corpo se agarrava a ele com tenacidade. A máquina orgânica foi aprimorada nas savanas africanas para que o suor, a urina e as fezes eliminem quantidades mínimas de sal. O objetivo da natureza é preservá-lo dentro do corpo. Mas as circunstâncias mudaram radicalmente.

O problema que se coloca para os homens e mulheres do século XXI é oposto: excesso de sal. O Institute of Medicine, organização que assessora o governo americano, estima que cada um de nós poderia sobreviver com cerca de 450 miligramas de sal por dia, mas as estatísticas internacionais mostram que a ingestão diária per capita pode passar de 10 gramas. É uma quantia 22 vezes maior. No Brasil, o consumo per capita chega a 12 gramas. Como conciliar um organismo projetado para viver com quantidades mínimas de sal com um regime alimentar em que ele é superabundante? Para um grupo que varia de 25% a 30% da população, essa questão é urgente. Essas pessoas têm dificuldade em eliminar o excesso de sal que ingerem. Por causa da retenção, desenvolvem hipertensão crônica: uma doença que mexe com a circulação, força os batimentos cardíacos e pode causar ataques do coração e derrames cerebrais (leia o quadro abaixo). Mais de 17 milhões de brasileiros sofrem dessa doença.

“O sal é importante para nosso organismo, mas não podemos abusar dele”, diz o médico Flávio Sarno, pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um consumo inferior a 5 gramas de sal por dia – equivalente a uma colher de chá ou a cinco azeitonas. Pense em sua própria alimentação e calcule quantas vezes você passou da conta na última semana. Se você não está entre os 25% ou 30% da população que são sensíveis ao sal, não deve haver problema. Mas como saber? Sarno diz que seriam necessários seis dias de internação sob controle alimentar para medir com precisão a sensibilidade ou resistência de cada um ao sal. “Como não dá para internar todo mundo, a recomendação é que todos diminuam a ingestão de sal”, diz Agostinho Tavares, nefrologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).